Admito
que já senti aflição por ter poucos amigos. Já senti preocupação e até uma
pontinha de culpa. Senti, no passado. O tempo me avisou que a quantidade não
faz diferença. E que ele mesmo se encarrega de fazer os testes de qualidade.
Superei
a fase em que me sentia mal em conseguir contar nos dedos as minhas amizades,
enquanto outras pessoas não tinham dedos que bastassem. Já não me sinto menor
por isso. Entendi que muitos daqueles que tinham amigos além da conta, não eram
mais felizes por isso. Frequentemente eles precisavam lidar com episódios de disse-me-disse,
abandono nos momentos de dificuldade e até (vejam só) disputa para ter best
friend. Por essas e outras, percebi que é melhor ter poucos amigos. Manter uma
agenda repleta tem lá suas complicações.
Ainda
gosto de ter muitos conhecidos. Gosto de poder falar “olá” quando os encontro por aí. Mas parei de desejar ter “um milhão de amigos”. Soube que isso
não me ajudaria a cantar ‘mais forte’. Prefiro meia dúzia. Com essa quantidade,
quase irrisória, me divirto mais e me divido menos. Podemos jogar no mesmo
time. Sentar em volta da mesma mesa. E ao redor de mim. Dou conta de olhar nos
olhos de todos e interpretar seus olhares e de reconhecer suas vozes ao
telefone. Tenho tempo para digitar minhas pequenas novidades e saber de suas
novas conquistas. Somos mais próximos. Sobra mais amor.
Não
que seja mau ter muitos amigos. Ser bem quisto é quase um sonho de consumo. Mas
ter poucos amigos é gostoso e confortável. Um círculo menor exige menos e o
carinho chega mais rápido. Além disso, amizades verdadeiras e que não mudarão
ao sabor do vento, são bem poucas. Fora esses, os que sobram são colegas.
Também somam, mas o status é diferente.
Engana-se
quem pensa que uma lista de contatos cheia impede a solidão. Ao contrário. Os
poucos amigos sabem da importância que têm. Não ousarão debandar quando
precisar deles, nem invejarão suas vitórias.
Por
tudo isso é que prefiro ter menos amigos. Mas, dos verdadeiros. Porque no
fundo, percebo que esses são quase irmãos. Os laços que nos unem são mais
fortes e mais duradouros, mas o jeito de se relacionar acaba sendo bem simples:
Gosto deles, eles gostam de mim. É tudo que precisamos saber. Sem reservas nem
cobranças.
Já
não me incomoda que minha agenda esteja vazia. Os contatos que mais importam
foram anotados, no fundo do coração.
Alessandra
Piassarollo
