Amores
são como sapatos: os melhores são os que machucam. Quanto mais nas alturas eles
nos elevam, mais duro é voltar a ter os pés no chão quando a festa termina.
Não
é bem assim?
De
que adianta viver rodeada de scarpins salto 15 se eles não foram feitos para
dançar a noite inteira? E a história se repete. É descer do salto e andar de
pés descalços sujeita a cacos de vidros no chão. Pois, é melhor correr o risco
de se cortar do que parar de dançar, não é?
Sapatos
(e amores), também precisam ser do número certo. Os maiores são frouxos, sobra
muito espaço vazio, abandonam os pés e se fazem perder pelo caminho. Os menores
apertam, sufocam, fazem sangrar e causam feridas pela falta de liberdade. De
ambos os jeitos, exigem cuidado demais a cada passo para evitar tropeços no
primeiro paralelepípedo. Dificultam a caminhada. Tornam impossível pegar a
estrada e seguir adiante.
Não
adianta se contentar com o “quase serviu”.
Sapatos, assim como amores, não mudam seu jeito de ser só porque nos
apaixonamos por eles.
Sapatos
(e amores) precisam ser confortáveis, companheiros para enfrentar a caminhada
junto. Precisam nos encorajar a trilhar um caminho leve, sem dor. Alguns se
desgastam com o tempo, outros cedem e se rompem. Tudo bem. Aquele sapato (ou
seria amor?) simplesmente não serve mais.
A
busca hoje é esta. Por sapatos e amores que não machuquem e que nos levem cada
vez mais longe.
Via: EOH
