Como
diria a personagem Blanche Dubois da peça teatral “Um bonde chamado desejo”,
existe apenas uma coisa imperdoável: a maldade gratuita e deliberada. Gosto
imensamente deste pensamento. Esta frase é de uma lucidez assombrosa,
partindo-se do pressuposto de que Blanche é uma personagem psicótica.
Sim,
não existe nada pior do que ferir por ferir. Não existe nada pior do que magoar
uma pessoa que nunca te faz mal. Pior ainda é ferir gratuitamente e de forma
proposital quem sempre demonstrou por nós afeto verdadeiro. É mais do que
maldade. É burrice.
Sabemos
que no movimento frenético da vida, na busca de nossos objetivos e desejos,
corremos o risco de vez ou outra “atropelarmos”
alguém. Às vezes, nem percebemos ou vamos nos dar conta semanas, meses, anos
depois. Às vezes, a gente fala demais, comete gafes, é desatencioso pois está
cheio de problemas. Às vezes, a gente não ajuda porque não temos realmente
condições de ajudar.
O
problema é desprender tempo e energia para fazer mal a alguém que nunca nos
prejudicou, motivado por sentimentos mesquinhos, que podem variar de uma
simples inveja até a uma tendência sádica. Pessoas que machucam gratuitamente,
muitas vezes, surgem em nossa vida de maneira inofensiva, com um semblante
meigo e palavras doces, o que torna certas ferroadas ainda mais dolorosas. Mais
dolorosas porque são inesperadas.
Pessoas
que sentem prazer em machucar gratuitamente são como vírus e bactérias. Estão
por aí. Não podemos evitar que elas entrem em nossa vida. Porém, quando
percebemos suas reais intenções, não devemos insistir na convivência com as
mesmas. Não precisamos pagar na mesma moeda. Me parece que quem precisa magoar
sem motivo já deve ter o seu quinhão de tristeza. Provavelmente, são pessoas
que estão muito mal com elas mesmas. Mas também não temos a obrigação de manter
contato, de conviver, de alimentar uma amizade e um carinho que apenas nós
sentimos.
Via: Obvious
