Estamos
numa busca constante da perfeição para nós próprios, para nosso círculo
familiar, para a sociedade e para – o mais importante – nossa cara metade.
Embora essa perfeição seja executada da nossa melhor forma possível, aos olhos
da outra pessoa ela pode estar sendo uma droga.
Desculpa-me
se eu não sou boa o suficiente para você, eu tentei, eu insisti, eu lutei – meu
Deus como eu lutei – mas no final de tudo acabou como algo mau acabado, para
nós que sempre odiamos os meios termos, os quaisquer coisas, as dúvidas, as
opções, terminamos com tudo pela metade.
Hoje
acredito que a perfeição é como um sapato, eu devo estar confortável nele. Não
adianta estar linda num salto quinze desconfortável, tendo que manter a pose
todo o tempo, com as pernas trêmulas de dor. Você perdeu a mina que aguentaria
uma noite inteira em cima de um salto para te acompanhar numa balada. Hoje eu
prefiro os saltos mais baixos, talvez uma sapatilha, algo que me deixe segura
comigo mesmo. Algo que eu saiba que não vai me machucar no final.
Eu
que sempre fui capaz de aceitar tudo para te fazer feliz, deixei de lado coisas
importantes da minha vida para te fazer prioridade, hoje só quero ser feliz
sozinha – ao menos por hora – eu quero me completar, eu quero ser a pessoa da
minha vida. E enquanto a minha outra metade da laranja? Deve estar se
espremendo com outro alguém.
Hoje
eu sou capaz de vestir aquele velho par de meias e ver um bom filme, jogada no
sofá, sem medo de ser feliz sozinha. Hoje eu aprendi que toda queda é uma nova
chance de aprender a caminhar. Hoje eu tenho certeza que no fundo eu não
preciso impressionar ninguém.
Eu
saí da sua vida de uma forma inesperada, pensei em te ligar várias e várias
vezes, mesmo sem saber o que dizer. Talvez pra dizer que eu não tenho orgulho e
nem dignidade e estou morrendo de saudades, mas não liguei. Foi bem melhor
assim. Hoje eu sou mais feliz, conheci algumas outras pessoas depois de você –
algumas tão babacas quanto você – mas quem sabe eu encontre o meu príncipe
encantado, não um que chegue num cavalo branco, mas um que me aceite com todos
os meus defeitos e que não me faça querer ser perfeita.
Já
me dizias que a vida é muito curta para não aproveitar tudo que ela tem para me
oferecer, então hoje eu aceito tudo de novo que ela me propõe, me permito
conhecer um novo alguém, talvez não melhor, mas tão bom quanto você.
Desculpe-me se eu não fui boa o suficiente pra você.
Via: Obvious
