Para onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?



Para onde vão?
Para onde vão nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?
Para onde vão as belas canções que deixamos de cantar em voz alta por vergonha de desafinar?
Para onde vão os passos de dança que não quisemos dançar por nos sentirmos sem graça? Os rodopios não rodados, os bangheads não chacoalhados, as firulas não tentadas quando deixamos de bailar?
Para onde vão os sorrisos no instante em que deixamos de sorrir por medo de sermos mal interpretados ou simples preguiça de deixá-los brilhar?

Para onde vão os desenhos que imaginamos e não colocamos no papel?
Para onde vão os sabores das guloseimas que por receio de engordar ficaram sem ser experimentadas?
Você sabe me dizer para onde vão os sonhos que ao crescermos deixamos de sonhar? Ou a água das flores que deixamos de regar?
Para onde vão as palavras do dicionário que não procuramos aprender? Ou os contos dos livros que voluntariamente deixamos de ler?
Você tem ideia de para onde vão as criaturas nas nuvens quando deixamos de dar-lhes nomes e formas enquanto estamos deitados na grama em um dia de sol?
E as linhas das estradas que ficam para trás no momento que buscamos um novo destino?
Estou procurando saber para onde vão os amores que temos em nós quando deixamos de senti-los.
Para onde vão nossos olhares apaixonados depois que cerramos os olhos lentamente de tanto prazer?
Para onde vão os diferentes cansaços de nossos dias corridos? Os encontros com os amigos que não nos dispusemos participar?
Para onde vão os beijos insinuados e não dados, os abraços que poderiam ser apertados, o carinho não acarinhado quando a distância ou o tempo não mais os permitem?
Para onde vão o infinito, o horizonte e a escuridão quando cansamos de buscar?
Me indago ainda para onde vão todas as perguntas quando as deixamos de fazer e as respostas que explicitamente muitas vezes nos negamos a dar.

Via: O Segredo