Outro
dia, tardiamente, conheci a canção “Morada”, de Sandy e Lucas Lima. A música é
doce e a melodia é delicada... Ao ouvir um trecho no Instagram da cantora, me
comovi. Pois todos nós, com raras exceções, já fomos “cortados pela raiz” mesmo após ter “dado flor”.
E
fica sempre a dúvida: “como inventar um
adeus?” ou, como seguir em frente quando tudo que a gente queria era permanecer,
ver dar frutos, florir?
A
gente sempre imagina que plantou flores em solo fértil, e chora em silêncio
quando percebe que farto era só o nosso desejo.
A
gente sempre vai ter um pouco de saudade daquilo que ficou por viver. Das
histórias que a gente construiu no coração, mas que não sobreviveram para virar
realidade. Dos sonhos que a gente plantou, mas não tiveram força para se tornar
verdade.
De
vez em quando é essencial fazer pactos com o adeus. Cortar pela raiz mesmo
ferindo e doendo. Aceitar a morte de um tempo, tolerar a decisão de seguir
adiante sem a companhia escolhida e permitir a ferida da despedida.
O
adeus também é feito de corações que se amam, de almas que se entendem, de rios
que correm lado a lado.
É
preciso força, fé em Deus e maturidade para não sangrar. Para entender que a
paz do encontro foi trocada pela inquietação da despedida; para aprender a
ficar em silêncio quando muita coisa já foi dita; para recolher-se em cuidado e
proteção; para permitir-se ser curado com colos e abraços de mãe ou de amigo
querido; para aceitar carinhos em forma de café fresquinho ou taça de vinho
tinto; para aprender a respirar sem dor; para novamente florescer sentindo
amor.
A
gente tem que entender que certas feridas irão existir para sempre, não importa
quanto tempo passe. A boa notícia é que param de doer. Mas a cicatriz permanece
lá, como um lembrete de que fomos modificados para sempre.
Um
dia a gente olha pra trás e entende que a vida também é constituída de
finalizações e despedidas. E que isso faz parte do que somos também. Pois o
bonito da existência é perceber que nascemos diamante bruto, e que o tempo permitiu
que fôssemos lapidados com alegrias e tristezas, começos e términos,
crescimento e poda, realizações e saudades...
Via: A Soma de Todos os Afetos
Via: A Soma de Todos os Afetos
