Não
foi fácil ver você arrumando todas suas coisas para ir embora, sumir e partir
de vez. Não foi fácil ver você juntando pedacinho por pedacinho da nossa
história, pôr na bolsa, bater a porta e sair sem me dar tchau. Não foi moleza
te ver tirando suas roupas do guarda-roupa que já faziam parte das minhas,
levando os quadros com as nossas fotos, os seus sapatos, os perfumes e todo o
nosso amor. Tínhamos tantos planos e desejos para realizar, que ainda não
acreditei que tantas vontades se afundaram assim, do nada.
Não
foi fácil. Mas eu já estava tão acostumada com essas suas idas e voltas que,
com certeza, dessa vez não seria diferente. Foi tudo do mesmo jeitinho. Você só
queria uma “discussãozinha” para
pegar o bonde e seguir outro rumo. Você só queria um motivo para ir embora.
Você só precisava arrumar uma brigazinha besta, pra querer ficar na razão e
sumir. E foi o que houve, pufff, grande burrada da tua parte.
Eu
já tava tão acostumada com tudo isso, que dessa vez, eu vi como se fosse algo
normal. Te ver partir e daqui duas semanas você voltar, dizendo que foi embora
por impulso, por estar bravo, e pedir desculpa dizendo que dessa vez vai ser
tudo diferente, já até cansei. Só que agora as coisas complicaram pra você.
Chega. Acabou. Pode ir e nem voltar mais. Não vai ter a próxima vez. Chega
disso. Dessa vez foi eu que cansei. Tava tão difícil aturar essas suas idas que
agora passou a ser algo fácil de lidar. Aprendi a segurar a barra. Aprendi com
os meus próprios erros de querer aceitar teu jeito doido, de querer ir e voltar
na hora que quer, achando que aqui é bagunçado assim. No fundo, eu acabei
aprendendo a viver sem você.
Antes
eu até me enlouquecia achando que você nunca mais iria voltar ou que tava
perdendo um grande amor. Como eu estava enganada, hein? Sendo que, se fosse
amor mesmo, não iria embora tão fácil assim, não partiria de vez; por impulso,
por briguinha, por besteira. Amor fica, luta, insiste, briga. Amor entende,
compreende, aceita, e faz de tudo para ficar na paz. O amor não vai fácil. Ele,
nem sequer, pensa em ir.
Eu
já tinha implorado tanto das últimas vezes para você não ir que dessa vez eu só
aceitei. É, aceitei. Não tinha mais nada a ser pedido, implorado, chorado. Não
tinha mais o que chorar, o que cobrar, o que querer. Não valia a pena. Eu
aceitei a sua ida com o coração no chão, mas fui mais forte ainda para pegá-lo
e ter colocado no próprio lugar. Na hora deu até vontade de te dizer mais uma
vez: “Não vai, amor. Fica aqui pra sempre”.
Mas meus pensamentos mudavam depressa. Eu não tinha mais aquela vontade de te segurar
pelos braços e dizer: “Você vai ficar!!!”
Dessa vez foi tudo diferente. Eu consegui te ver partir. Foi difícil, te juro,
mas foi necessário. Afinal, amor não se implora. Não se compra. Amor é dado por
vontade própria do outro. E se isso não acontecer, bom... nem vale a pena ter.
Fernando Oliveira
