Eu
nunca fiz questão de festa de casamento, de vestido de noiva e de um anel
caríssimo de brilhantes. Não é isso que faz a minha cabeça. Eu não preciso de
um papel assinado para provar que sou sua mulher, faz-me sentir que sou a tua mulher,
faz-me tua! E eu serei, sempre.
Tu
podes colocar uma aliança de bambu no meu dedo, desde que seja com VERDADE, que
ela não seja somente para mostrar o nosso compromisso ao mundo, que eu ficarei
feliz se ela não tiver ouro mas tiver AMOR. E se tu a usares com felicidade e
não por mera formalidade.
Eu
tampouco quero exigir-te fidelidade pois creio que fidelidade e amor ninguém
obriga nem agradece; quando existe um destes sentimentos muito forte, o outro
complementa espontaneamente, sem obrigações, sem cobranças. A lealdade é fruto
desta união e é isso que me interessa.
Eu
dispenso a festa, se for para mostrar aos nossos amigos como estou feliz, quem
me conhece não precisa disso e quem não me conhece não me importa... Os meus
amigos sabem que eu encontrei o amor, só pelo brilho nos meus olhos; nunca quis
um marido para a cerimónia, sempre quis um companheiro que fizesse da nossa
rotina uma grande alegria e da nossa cama uma festa. Não me dê presentes caros,
dá-me sorrisos!
Eu
nunca quis um MARIDO para me acompanhar nos rituais natalícios e reuniões de
família, sem a menor vontade, só porque PRECISA estar ali; eu sempre quis um
parceiro, que mesmo no final do campeonato de futebol, com a sua equipa em
campo me dissesse “Vamos! Eu assisto ao
jogo com os teus primos – adversários!”. Percebes a diferença? Parceria
pode ser absolutamente oposta ao casamento, mesmo que não devesse nunca ser
assim. Eu nunca quis passar o ano todo planejando um roteiro para os 7 dias
corridos de férias no final do ano, porque eu não preciso passar o ano novo em
Cancun, eu sempre quis um companheiro que me fosse pegar mais cedo no trabalho
numa quinta-feira e que subíssemos a serra para passarmos 24 horas juntos...
Eu
nunca quis um MARIDO que levasse a minha família para jantar no meu aniversário
e me desse uma bolsa qualquer de presente, porque isso é o correto a se fazer;
eu quero um companheiro que me deixe um bombom debaixo do travesseiro para
quando eu chegar... Que ligue para a minha família e diga “Venham aqui para casa!”, que não me faça declarações com um
helicóptero mas que me diga, todos os dias, baixinho ao pé do ouvido, o quanto
eu sou importante.
Eu
não quero um marido para posar comigo nas fotos, para me levar nos eventos da
firma; eu quero um companheiro para produzirmos boas lembranças, para ser, um
dia, aquela foto que dá saudade, de um momento rotineiro na varanda… um
companheiro para depois do evento da firma perguntar “E agora, vamos esticar-nos aonde?”.
Eu
não quero um marido que só fique à minha espera na sala do pronto socorro, eu
sempre quis um companheiro que me fizesse um chá quando eu estivesse com gripe.
Isso é cuidado, zelo, e casamento, infelizmente, às vezes é outra coisa.
Portanto, não te cases comigo apenas, mais do que isso: VIVE ao meu lado.
Eu
não quero um marido para cumprir os protocolos; eu quero um companheiro, para
quebrarmos todos eles!
Eu
não quero um marido para envelhecer comigo; eu quero um COMPANHEIRO que me
ajude a manter o meu espírito sempre jovem. Um companheiro que envelheça junto
comigo e que ria dos meus cabelos brancos...
Eu
nunca quis um marido para ter que fazer sexo 3 vezes por semana, eu sempre quis
um companheiro que me levasse para a cama quando eu adormecesse no sofá.
Eu
nunca quis um marido só para brindar; eu sempre quis um companheiro para abrir
uma garrafa quando o dia tiver sido péssimo.
Eu
nunca quis um marido para procriar. Para revezar as trocas de fraldas noturnas.
Eu sempre quis um companheiro que entendesse o meu cansaço e que me oferecesse
o ombro para descansar.
Não
precisa fazer massagens tântricas nos meus pés, apenas deixa-me esticar as
pernas por cima das suas...
Eu
nunca quis um MA-RI-DO para pagar todas as minhas contas. Eu sempre quis um
companheiro para crescermos juntos. Nunca quis um marido que me levasse para
conhecer o mundo, apenas quis um companheiro para conquistarmos o mundo, para
construirmos um mundo nosso. Para nos bastarmos num dia chuvoso. Para sermos
felizes a comer macarrão com ovo! Para rirmos quando o dinheiro apertar… E para
querer dividir não só o carro e a conta bancária, mas a alma, a vida e os medos
quando a noite chegar; os abraços, o céu, as estrelas, no nosso espaço e por
todas as galáxias... Que me deixe ser o astro no seu sistema solar!
Mas
não precisa ser eterno. Eu só quero que seja verdadeiro enquanto durar. E que
esse durar, seja leve, enquanto eu respirar.
Bruna Stamato
